Música ao Tempo de D. Teotónio de Bragança

 

Teotónio de Bragança (1530-1602) foi Arcebispo de Évora entre 1578 e 1602. Quinto filho de D. Jaime, Duque de Bragança, o seu percurso religioso passou pelo mosteiro de Santa Cruz e o Colégio da Companhia de Jesus em Coimbra, viajando por várias cidades europeias como Roma, Veneza, Lyon, Paris, Salamanca entre outras. Com a subida ao trono do Cardeal D. Henrique, torna-se o quarto titular do Arcebispado de Évora. Durante este período fundou o mosteiro cartuxo de Scala Caeli nos arredores de Évora e o convento carmelita dos Remédios, à saída da cidade. Sob a égide de D. Teotónio, foram recuperados vários templos na cidade (S. Tiago) e arredores (S. Manços, Santa Maria de Machede, Graça do Divor), reuniu uma biblioteca com cerca de seis centenas de títulos (reunidas no mosteiro da Cartuxa) e várias obras de arte que incluíam dois trípticos de fechar flamengos, tapeçarias, retratos de corte, e muitas outras pinturas de temática sacra. Évora viveu, assim, um período de grande inovação artística e cultural durante o governo de D. Teotónio.

Relativamente à música nos 23 anos do governo de D. Teotónio, passaram pelo Colégio dos Moços do Coro, afecto à catedral eborense, alguns dos mais celebrados compositores da primeira metade de seiscentos. Entre estes encontravam-se Duarte Lobo, Manuel Cardoso e Filipe de Magalhães, tendo este último ocupado o posto de mestre da claustra. Estêvão Lopes Morago e Estêvão de Brito aparecem como estudantes de uma geração seguinte que se distinguiram na Sé de Viseu e na de Málaga respectivamente e Manuel Mendes, que veio com o Cardeal D. Henrique em 1574 para Évora, assumiu o cargo de mestre da claustra nos anos seguintes. Este período de 23 anos correspondeu ao que actualmente se tem como o auge da Sé de Évora enquanto instituição de prática e ensino musical, onde se interpretaram obras de compositores consagrados como Tomás Luis de Victoria e formaram ainda várias gerações de músicos, como é o caso de Francisco Martins.


Programa

  • Duarte Lobo (c.1566-1646) – Asperges me
  • Estêvão Lopes Morago (c.1575-c.1630) – O bone Jesu
  • Francisco Martins (c.1628-1680) – Adjuva nos Deus
  • Manuel Cardoso (1566-1650) – In Monte Oliveti
  • Manuel Cardoso – Jod. Manum suam (Lamentação)
  • Tomás Luis de Victoria (1548-1611) – O vos omnes
  • Francisco Martins – Vinea mea electa
  • Estêvão de Brito (c.1575-1641) – Magnificat Primi Toni
  • Manuel Mendes (c.1547-1605) – Alleluia

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